FOUSP na Mídia: A profissional explica as principais causas de dor de dente e quais os tratamentos indicados para aliviar e combater o desconforto.

Via TaCerto Entrevista

TaCerto com Dra. Andréa Witzel

Dra. Andréa Witzel, professora da disciplina Estomatologia Clínica

Quem já teve que lidar com a dor de dente sabe como é desconfortável esse quadro. Ela pode ser aguda e contínua, intermitente ou, até mesmo, irradiar de outra região do corpo.  Algumas pessoas, simplesmente, ignoram a dor e só procuram ajuda quando a situação ficou crítica. Outras, se automedicam, tomam chás e tentam várias medidas caseiras tentando aliviar o incômodo. Apesar de ser adiada, uma visita ao consultório odontológico é indispensável, pois serve para diagnosticar e iniciar o tratamento mais adequado. A seguir, a Dra. Andréa Witzel, professora de Estomatologia Clínica da Universidade de São Paulo, esclarece melhor sobre os diferentes tipos de dor de dente, as causas e os tratamentos recomendados em casos de dor dentária.

1- Existem diferentes tipos de dor de dente?

A dor de dente pode ter diferentes características, mas por se tratar de uma inflamação, normalmente, é uma dor do tipo latejante e pulsátil. Se for de instalação recente é chamada de aguda, caso persista por meses, ela é considerada crônica.    A dor que pode irradiar para outros dentes e outras regiões da face é classificada como difusa e irradiada. Quando ela “vai e vem” é chamada de intermitente e quando dói o tempo todo é uma dor contínua. Assim, como os dentes irradiam para outras regiões, outras áreas também podem gerar dor referida nos dentes. Uma patologia nos músculos pode ocasionar uma dor irradiada para a região dental e, até mesmo, um ataque cardíaco pode se manifestar como uma dor de dente. Por isso, é sempre muito importante ser feito o diagnóstico correto da doença, lembrando que a dor é o sintoma de que algo está errado e deve sempre ser descoberta a causa para um tratamento adequado.

2- Quais as causas mais comuns de dor de dente?

A causa mais comum de dor na cavidade bucal é a doença inflamatória da polpa dental (nervo do dente) ou dos tecidos periodontais (que suportam o dente no osso). Isso pode ser por causa de vários motivos: cáries, retração gengival que expõe a raiz do dente, pulpites (inflamação do nervo/canal do dente) e doenças do periodonto.

3- Existe alguma maneira de aliviar a dor dental até a consulta odontológica?

A dor poderá ser aliviada dependendo do estágio da doença. O grande problema é que o paciente acaba utilizando medicações analgésicas que inicialmente aliviam a dor, mas não tratam a doença. Assim, a doença progride até o momento que nada mais alivia a dor e só aí o paciente procura atendimento. Por exemplo, o paciente começa a ter dor de dente por causa de uma cárie, não procura assistência e, como a dor é intermitente, ele se automedica. O tempo vai passando e aquela cárie continua progredindo e pode atingir o canal (nervo do dente). Nesse estágio, o que era uma doença simples que, anteriormente, seria resolvida com uma restauração, evolui para uma doença endodôntica (do canal do dente), que só será resolvida com o tratamento do canal. Alguns pacientes, mesmo nessa fase, relutam em procurar atendimento e a doença pode evoluir para um abscesso com necessidade até de drenagem em centro cirúrgico. Assim, um analgésico simples pode ser utilizado para amenizar a dor, mas um profissional de saúde deve ser procurado o mais breve possível.

4- O que deve ser evitado para não piorar o desconforto?

A sensibilidade dental pode ser desencadeada por alimentos frios ou açucarados, ou seja, evitar o consumo de alimentos em baixas temperaturas e com açúcar pode aliviar o desconforto. Pode-se usar a analogia como um alarme de uma casa que dispara durante a noite, você pode simplesmente desligar o alarme e voltar a dormir. É isso o que acontece quando você toma remédios para passar a dor de dente, você só está desligando o alarme, mas não sabe a causa!

5- Algumas pessoas sentem dor de dente ao comer alimentos quentes ou frios. Esta sensibilidade pode ter a ver com algum problema bucal?

O dente saudável quando exposto a alimentos frios (sorvete, açaí gelado) pode desencadear um sintoma de dor. Quando o dentista quer ter certeza que o nervo do dente está normal, ele encosta uma superfície fria (gelo ou outros produtos específicos) no dente e pergunta se o paciente sentiu dor. Caso a resposta seja negativa, isso pode representar uma doença, pois se o dente não responde com dor quando exposto ao frio, a polpa pode estar morta (necrose pulpar). Esse teste deve ser feito somente pelo cirurgião-dentista, que sabe o local e quanto tempo deve ser deixado o gelo em contato com o dente para validar o resultado. Já a dor a alimentos quentes, normalmente, é o indício de que há algo errado com o nervo do dente e o cirurgião-dentista deve ser consultado.

6- Quais os tratamentos indicados nos principais casos de dor dentária?

A dor desencadeada pela sensibilidade por exposição radicular (retração da gengiva com exposição da raiz) pode ser tratada, inicialmente, com o uso de cremes dentais específicos para sensibilidade, mas pode ser necessário restaurar a superfície exposta. A cárie deve ser removida e, em seguida, feita uma restauração para vedar a cavidade. Já a pulpite, inflamação na polpa dentária, dever ser tratada por meio da remoção da polpa (tratamento de canal), seguida pela restauração.

7- Quais os hábitos mais eficientes para prevenir problemas bucais e a dor de dente?

Os hábitos são os de higiene bucal convencionais: escovar os dentes e utilizar o fio dental diariamente.

 

Créditos:

Profa. Dra. Andréa Lusvarghi Witzel

Faculdade de Odontologia da USP

Disciplina de Estomatologia Clínica

Av. Prof. Lineu Prestes, 2227

São Paulo

(11) 3091-7883

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