Congregação homenageia Prof. Dr. Mendel Abramowicz e servidores da Casa

Na manhã desta quinta-feira, 23 de junho, a Congregação homenageou antigos servidores da Casa, num gesto de resgate à sua memória institucional. O primeiro a ser homenageado foi o Prof. Dr. Mendel Abramowicz, formado como o primeiro doutor em Odontologia desta Faculdade e nomeado Professor Titular do Departamento de Odontologia Social, atuando como Chefe do Departamento na gestão de 1978 a 1988. Também cumpriu mandato de quatro anos como Diretor, de 1989 a 1993, exercendo um papel de suma importância para a construção de um ensino de excelência. Coube ao Prof. Dr. Dalton Luiz de Paula Ramos prestar os agradecimentos em nome da Congregação, entregando o prêmio de solenidade ao homenageado.

Comovido, o Professor Doutor Mendel agradeceu as palavras de afeto e disse em discurso: “Me sinto honrado por estes 59 anos de docência, me orgulho por ter sido parte da história desta Faculdade. Dizem que aqueles que não sabem reverenciar o passado, fecham as portas para o futuro. Com este gesto, a Faculdade de Odontologia demonstrou possuir um belo futuro pela frente”.

Também foram prestigiados in memoriam os servidores Lourival de Almeida (carinhosamente conhecido como “Seu Loro”) e sua filha Cleonice de Almeida; ambos trabalharam e moraram na Faculdade de Odontologia localizada na Rua Três Rios, Bom Retiro. Sr. Lourival além de zelador e porteiro, também contribuiu para a cultura brasileira tendo participado de um grupo de sambistas e sendo um dos fundadores do Grêmio Recreativo Cultural Social Escola de Samba Vai-Vai. Representando os homenageados, recebeu o prêmio Lorenice de Almeida, filha do Sr. Lourival. Outro membro da família e servidora aposentada da Casa de Montenegro, Isaura de Almeida Teixeira foi prestigiada nesta Congregação, tendo seu filho Hudson Ventura Teixeira Júnior recebido o prêmio em sua ausência.

O Sr. Hudson fez um depoimento bastante emocionante: “Acredito que é fundamental agradecer por essa homenagem de uma forma contextualizada. A Faculdade de Odontologia da Rua Três Rios foi meu quintal. Eu era muito pequeno, meu avô e minhas tias moravam lá e era lá que eu brincava e, 39 anos depois do meu avô ter falecido, foi extremamente importante essa homenagem porque eu vim aqui demonstrar o que foi o empoderamento que a Universidade pode dar para o negro: um homem que foi zelador, criou suas filhas, teve netos e bisnetos e, hoje, sou formado e também sou professor. Uma vez, dei uma entrevista para a Folha de São Paulo e me perguntaram se eu achava que existia racismo no Brasil e eu falei ‘claro que tem!’. Em seguida, me perguntaram se eu já tinha sido vítima de algum tipo de discriminação sendo barrado em lugares ou algo do tipo e então respondi que não. Me perguntaram novamente se eu sabia a que se deve esse fato e então falei ‘porque nunca perguntei se podia entrar’. Essa estima e orgulho têm a contribuição de todos vocês porque acreditaram e deram oportunidade. O recado é justamente esse: oferecer a oportunidade de dar acesso de sermos iguais a partir disso. Meu agradecimento especial desde meu avô, minha mãe, meu bisavô, meus tios e tias porque sou fruto de tudo que vocês fizeram e tenho muito agradecimento. Muito obrigado.”

 

 

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