(Português) Inteligência Artificial e Odontologia – Como a tecnologia pode facilitar a modelagem de próteses nasais

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Criada para executar funções como um ser humano, a Inteligência Artificial (IA) possibilita que máquinas realizem as mais diversas tarefas de acordo com dados e algoritmos de reconhecimento de padrões. O dispositivo é treinado para estar sempre em constante melhora, aprendendo a se adaptar de acordo com as informações que recebe.

Profa. Dra. Neide Pena Coto

Pensando nisso, a Prof. Dr. Neide Pena Coto em parceria com a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli), desenvolveu um projeto de IA para auxiliar em um procedimento que ela realiza diariamente: a modelagem de prótese de nariz em silicone.

O Prof. Dr. Eduardo Lobo Lustosa Cabral, docente da Poli e especialista em IA, explica como é o treinamento do programa para realizar uma tarefa desejada: “Primeiro, fornecemos os dados de entrada e o que deve ser extraído a partir disso. No caso deste projeto, oferecemos fotografias do maior número de pessoas possível, priorizando fotos frontais e de perfil”. É esperado que o programa aprenda a analisar o tom de pele, tipo físico, cor do cabelo, sobrancelha e qualquer característica do rosto que seja útil na criação da prótese, ou seja, o objetivo da IA nesse caso é gerar o formato da prótese de nariz que seja compatível com as características do paciente.

Em parceria com o projeto, a doutoranda Denise Moral Nakamura, está desenvolvendo um aplicativo para auxiliar na tomada de cores da prótese. Através de um Algoritmo Genético (AG), a pesquisadora busca montar uma paleta de cores e texturas. “É um algoritmo que funciona por tentativa e erro. Ele tenta várias concentrações diferentes e vai selecionando as cores mais aptas até achar o tom mais próximo do ideal”, diz.

O projeto tem como objetivo suprir uma demanda de próteses que nem sempre são possíveis de serem produzidas em todo o país. “Por exemplo, uma pessoa perde o nariz no Maranhão e procura

um serviço de prótese buco-maxilofacial. O objetivo é que essa pessoa seja orientada a fazer as tomadas fotográficas de acordo com as exigências do programa.. Então o programa de IA, a partir dessas fotos, cria uma imagem da pessoa com um novo nariz e o aplicativo define a cor aproximada da pele, permitindo que a prótese seja fabricada em uma impressora 3D”, explica a Prof. Neide.

A Impressora que será utilizada está sendo fabricada. Ela deve atender a todas as especificidades que o projeto exige, inclusive quanto à escolha do material, o silicone de grau médio.

Uma preocupação da Prof. Neide é quanto às particularidades de cada caso. Nem sempre as perdas nasais são iguais e é preciso que o programa permita ser manuseado. “Em alguns casos, as perdas tomam algumas regiões da face, e é necessário que isso seja levado em consideração pelo sistema de IA”.

Atualmente, todo esse processo é feito manualmente atendendo a cada especificidade do paciente. Para ser considerado efetivo, o programa de IA deve realizar o mesmo processo. “Não estamos aqui para complicar, queremos apenas que isso sirva para ajudar. Em alguns casos a pessoa interrompe a sua vida para fazer o tratamento. O objetivo é que com a IA consigamos melhorar, otimizar e acelerar o processo de geração da prótese de forma a atingir o mesmo padrão de qualidade como se um humano a tivesse feito”, concluiu a discente.

Heitor, paciente da Prof. Neide, é um dos casos usados como exemplo para tanto comprometimento da docente com a área. Após sofrer com um câncer e perder o apêndice nasal, procurou o serviço de bucomaxilo da FOUSP para dar início a reabilitação protética.

O paciente tinha apenas uma preocupação, conseguir usar a prótese no casamento do filho, que seria em dois meses. Normalmente, todo processo levaria seis meses para ser concluído, mas devido ao evento próximo, a equipe se dispôs a acelerar os procedimentos.

Heitor pode comparecer ao casamento do filho da forma que gostaria e hoje é usado como motivação para implementar cada vez mais o projeto.

 

Por Gabrielle Torquato

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