(Português) Clínica Odontológica: da formação dos alunos ao atendimento à comunidade

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Em julho de 2006, a Faculdade de Odontologia inaugurou o novo prédio da Clínica Odontológica. Um projeto de anos, concluído com a presença do então diretor, Prof. Dr. Carlos de Paula Eduardo tendo, na época, como Supervisor da Clínica, o atual diretor, Prof. Dr. Rodney Garcia Rocha.

Fachada da Clínica Odontológica da FOUSP

Iniciava-se, dessa forma, uma nova fase no ensino de Odontologia na USP e junto com ela uma melhora significativa no atendimento odontológico da região.

Atualmente a clínica se divide em quatro áreas: amarela, lilás, verde e azul. Ao todo são 192 consultórios destinados para as disciplinas práticas e a realização de pesquisas e 5 consultórios no setor de urgência. Sr. Adauto Lopes de Menezes, responsável pela seção de apoio técnico, conta com a colaboração de funcionários técnicos e básicos para colocar em operação todos os espaços. Sendo de extrema importância destacar o apoio do serviço de manutenção para a conservação dos equipamentos. “Em média, 400 alunos passam pela clínica, o que significam 1600 esterilizações de instrumentais. Os alunos contam com 250 aparelhos (fotopolimerizadores, aparelhos para profilaxia e motores endodônticos) para apoio do desenvolvimento das atividades clínico-cirúrgico, que ficam armazenados no almoxarifado da clínica. Todos os equipamentos devem estar em pleno funcionamento para não comprometer nem o ensino, tampouco o atendimento à comunidade. “, explica o Sr. Adauto.

Serviços à Comunidade

Em levantamento realizado pela Faculdade de Saúde Pública (FSP-USP), em 2017, 46% dos brasileiros consideravam difícil o acesso ao dentista e cerca de 20% não costumavam ir ao consultório odontológico.

Dividida entre 13 disciplinas de graduação, a Clínica visa suprir algumas necessidades da população. Segundo o Supervisor da clínica, Prof. Dr. Carlos Alberto Adde os tratamentos mais procurados são implantes e  periodontais.

Segundo a Sra. Evelin Regina de Freitas, responsável pela seção de apoio aos pacientes, a grande lista de espera consiste na confiança da população de que encontrará atendimento de qualidade. “A USP é uma escola de conceito, o paciente sabe qual o nível do tratamento que estará recebendo. A Faculdade é referência em diversos postos de saúde e municípios ao redor de São Paulo”. 

Além do atendimento através das disciplinas, a população também pode participar de outros estudos e clinical trials. Estima-se que cerca de 30 pesquisas são realizadas por ano na clínica, facilitando o acesso de pacientes a procedimentos de alta qualidade.

Cuidado com o meio ambiente

Uma preocupação constante na Clínica gira em torno da Biossegurança. Desde o primeiro contato, os aluno são instruídos sobre a forma correta do descarte de lixo e resíduos. Os cirurgiões-dentistas precisam se atentar na divisão de materiais infectantes e perfurocortantes.

Além disso, outro cuidado essencial seguido rigidamente pela clínica, é o descarte correto de resíduos químicos. Essas substâncias são geralmente usadas durantes os exames radiográficos e não podem ser descartadas na natureza.

Com essa finalidade, a Faculdade investiu em uma Estação de tratamento de água/químico radiológico. O equipamento descarta o efluente tratado diretamente na rede de esgoto, recupera a prata durante o processo de revelação da imagem e ao mesmo tempo neutraliza os demais metais pesados.

Clínica pelo olhar de um aluno

O primeiro contato dos alunos de graduação com a Clínica acontece a partir do segundo ano. Durante a disciplina de radiologia, eles ficam responsáveis por fazer os exames radiográficos utilizados durante os tratamentos. André Pereira Falcão, do quarto ano diurno, conta como se sentiu ao trabalhar na Clínica pela 

primeira vez: “Eu estava um pouco ansioso, mas muito feliz. Temos uma carga teórica muito grande e estar tendo contato com uma coisa mais prática foi muito diferente”.

Os alunos recebem uma grande preparação antes do primeiro atendimento. São orientados quanto às roupas e os cuidados de biossegurança. “Temos que nos preocupar com o ambiente, como revestir de meios para diminuir a carga viral e bacteriana. Precisamos pensar em como proteger o paciente e também a nós mesmos”, explica André.

Outra preocupação frequente é o cuidado e a esterilização dos materiais. Geralmente, essas técnicas são passadas pela equipe de esterilização e professores. André comenta que durante as primeiras vezes, até mesmo alunos veteranos o ajudava com os processos de autoclavagem.  

Durante o terceiro ano, os alunos começam a realizar os atendimentos pela disciplina de dentística. Os procedimentos mais comuns são a restauração e o tratamento de Canal. É o momento em que muitos deles têm contato com o primeiro paciente. “Lembro que meu primeiro atendimento foi com uma moça bem jovem, ela precisava de uma restauração. Ao final do tratamento ela estava tão feliz. Foi bom ver que a Odontologia é muito mais do que apenas ‘tapar buraco’, é você devolver alegria e qualidade 

de vida”, compartilha o aluno.

André acredita que a experiência com os pacientes é o maior aprendizado proporcionado pela clínica. “A coisa que mais me dá força para continuar a minha formação é o aprendizado humano e moral. A chance que eu tenho de conversar com aquele paciente, entender e assim trabalhar para melhorar pelo menos um pouquinho a vida dele”.

Em aspectos mais técnicos, a Clínica se tornou essencial para um bom aprendizado. “ A Odontologia tem muitas técnicas, e você poder colocar tudo isso em prática é a melhor forma de aprender. A teoria é muito importante, não tem como ser um bom cirurgião-dentista sem uma boa fundamentação teórica, mas um dia clínico melhora sua qualidade técnica e social”, explica André.

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