(Português) FOUSP na Mídia: Uso da radiografia panorâmica dental detecta osteoporose

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Na odontologia, é comum o paciente realizar um exame chamado radiografia panorâmica para que o especialista consiga fazer qualquer tratamento dentário. No entanto, hoje, há cada vez mais pesquisas que mostram como esse simples procedimento pode identificar outras doenças. É o que a professora Emiko Saito Arita, em conjunto com a pesquisadora Luciana Munhoz e outros professores, está desenvolvendo na Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo.

A pesquisa trabalha como o uso dessa mesma radiografia panorâmica utilizada no dentista pode avaliar se há risco de uma pessoa ter osteoporose. Tal ferramenta seria importante porque muitas pessoas não têm acesso ao exame que diagnostica a perda mineral óssea, a densitometria óssea e, frequentemente, o paciente só é encaminhado para obter o diagnóstico quando sofre algum tipo de fratura, o que já representa uma perda para ele. A radiografia, no entanto, é um exame muito mais acessível, porque, como diz Luciana, “radiografia panorâmica é aquela que todo dentista faz, normalmente para iniciar o tratamento, pra colocar o aparelho, de repente, pra acompanhar aquele paciente na evolução do tratamento e, além disso é uma radiografia barata, de fácil acesso e pouca radiação.

A avaliação é baseada em índices radiomorfométricos: áreas da panorâmica que podem ser observadas quantitativamente ou qualitativamente. O índice utilizado para a detecção de perda óssea é chamado “índice da cortical mandibular”, em que o dentista analisa qualitativamente a cortical da mandíbula, que fica na parte inferior entre o pré molar e o segundo molar. Nessa área, ele busca erosões que possam indicar se o paciente possui riscos de ter osteoporose para que ele possa ser encaminhado para realizar a densitometria óssea. Afinal, se há perda óssea no corpo, não seria diferente na mandíbula.

A própria Luciana Munhoz já utiliza desse processo, já que ele é importante para o próprio tratamento odontológico pelo qual o paciente passa: a qualidade óssea de um paciente com osteoporose é mais baixa do que a de um paciente saudável, exigindo do dentista maior precaução ao iniciar algum procedimento e também na cicatrização de um implante, por exemplo.

A prevenção em detrimento dos gastos

A ideia principal é auxiliar na prevenção da osteoporose. Não há um costume de realizar a densitometria óssea, mesmo que seja preciso uma atenção em relação à perda mineral, o que faz com que o diagnóstico seja feito após uma fratura. Dependendo da fratura provocada, serão necessários outros gastos, como cirurgia, próteses, fisioterapia, entre outras despesas, que tanto o governo quanto a família do paciente devem arcar. Dessa forma, com uma simples identificação usando a radiografia panorâmica, o dentista poderia encaminhar seu paciente para realizar uma prevenção que evite a fratura e todos os gastos envolvidos. Para a professora Emiko, “se todos os cirurgiões dentistas vissem nas radiografias panorâmicas ou pudessem ter algum subsídio para saber se a pessoa tem tendência ou não, nós poderíamos sugerir para procurar um médico e fazer uma densitometria óssea.”

A pesquisa possui várias fases que avaliam a densidade mineral óssea através do exame em pessoas com diferentes tipos de condições. Recentemente as pesquisadoras vêm avaliando o processo em pessoas com HIV. “As pessoas que fazem tratamento com glicocorticóides, anti-inflamatórios e as pessoas que tomam regularmente o anti-inflamatório tendem normalmente a ter perda óssea.” Há uma série de doenças em que é de praxe realizar a densitometria óssea para avaliação por causa do uso desses medicamentos. Dessa forma, é preciso avaliar como ocorre essa perda e se é preciso investigá-la mais a fundo nesses tipos de pacientes para que a devida prevenção seja realizada. No entanto, ainda não há conclusões precisas, visto que esse braço da pesquisa foi iniciado recentemente.

O tópico principal em torno da pesquisa, como já dito, é a prevenção. É importante manter atenção nos fatores que interferem no risco da osteoporose, principalmente por parte das mulheres, que, na menopausa, deixam de produzir o estrógeno, responsável pela produção das células que formam o osso. Ao longo da vida, é necessário, para que haja desenvolvimento ósseo, manter a ingestão de cálcio para que, na idade adulta, o indivíduo tenha adquirido uma reserva suficiente para não obter um déficit ósseo, causando a osteoporose. Assim, caso haja tal déficit, a radiografia panorâmica ainda pode ser uma alternativa facilitada para a identificação dessa doença antes que o paciente a descubra através de uma fratura que tem. Se tal conhecimento é difundido para cirurgiões-dentistas em diferentes lugares, não só o sistema de saúde seria mais eficiente, mas também a qualidade de vida de um indivíduo poderia ser muito mais aproveitada.

 

Publicado em Agência Universitária de Notícias 

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