(Português) Enxerto gengival livre: qual a melhor técnica?

Sorry, this entry is only available in Brazilian Portuguese. For the sake of viewer convenience, the content is shown below in the alternative language. You may click the link to switch the active language.

Muitas pessoas procuram cirurgiões-dentistas com a queixa de hipersensibilidade dentinária. Ela acomete grande parte da população e, por vezes, impede o paciente de viver uma vida normal. Uma questão não tão abordada, no entanto, é que na maioria dos casos ela é acarretada pela retração gengival, ou seja, a migração da margem da gengiva e exposição da raiz do dente. 

Vanessa Camillo de Almeida

São muitos os fatores que podem causar a retração. Pacientes que apresentam algum tipo de doença periodontal ou até mesmo uma escovação inadequada estão na lista dos casos mais recorrentes. Desse modo, por anos a Odontologia estuda novas formas de tratamento e cirurgias que revertam o problema. 

Uma técnica muito conhecida é o enxerto gengival livre, proposta em 1968, na qual é removida uma parte do tecido do céu da boca e realocada na região da retração. Apesar de eficiente no que se propõe a tratar, o protocolo causa um certo desconforto durante o pós-operatório e não obtém um resultado estético tão satisfatório. Desse modo, por vezes, o cirurgião-dentista aplica essa técnica apenas em locais não tão visíveis. 

O Professor Aposentado Cesário Antonio Duarte, da disciplina de Periodontia do Departamento de Estomatologia, utilizava esse procedimento e, em 2011, publicou uma série de casos em que relatava uma modificação na técnica original de enxerto gengival livre. O objetivo era diminuir a contração e obter resultado estético mais satisfatório. Essa técnica despertou o interesse do Prof. Dr. João Batista César Neto, que passou a executá-la em sua prática. No entanto, até o momento nenhuma pesquisa controlada havia testado a real efetividade das modificações. 

A fim de entender o que as mudanças traziam de diferente para o paciente, a então doutoranda Vanessa Camillo de Almeida iniciou um estudo clínico randomizado e multicêntrico com a orientação do Prof. Dr. Claudio Mendes Pannuti. A pesquisa visava responder a seguinte pergunta: a técnica modificada é superior à técnica original no quesito de aumento da altura da gengiva?

Para começar a pesquisa, a equipe atendeu cerca de 300 pacientes. Eles buscaram selecionar casos que tivessem um padrão muito parecido e dentre eles apenas 40 pessoas foram selecionadas para a próxima fase. “Os critérios eram bastante restritos, mas os principais eram que o paciente tivesse indicação de enxerto na região inferior, faixa de gengiva queratinizada menor que dois milímetros em pelo menos um incisivo central ou lateral inferior e que estivessem aptos a realizar o procedimento cirúrgico”, explica Vanessa. 

Após a triagem, os pacientes eram preparados e recebiam o tratamento de forma aleatória. Enquanto 20 pacientes receberam a técnica clássica, na outra metade realizou-se o procedimento modificado. “A mudança ocorria na hora de suturar o enxerto. Quando preparamos o leito receptor levantamos a gengiva e criamos o que é conhecido como retalho. Na técnica clássica, esse tecido é removido e o enxerto gengival livre fica exposto. Já na modificada, o cirurgião-dentista mantém o retalho e com ele cobre o enxerto. As técnicas de suturas também eram diferentes”, explica. 

O profissional que estava realizando os procedimentos apenas sabia qual técnica usar no momento de sutura. “Alguns alunos de iniciação científica nos ajudaram com a manutenção do cegamento da pesquisa. Como eu era a examinadora eu não podia ter essas informações. Eu fiz as análises sem saber se estava examinando pacientes do grupo teste ou controle.” 

Após 12 meses de acompanhamento, Vanessa terminou suas análises e defendeu sua tese. Constatou que as duas técnicas eram eficazes quanto ao aumento na altura da gengiva e nessa perspectiva uma não poderia ser considerada melhor que a outra. No entanto, elas se diferenciaram em alguns pontos. 

Os pacientes que receberam a técnica modificada apresentaram consideravelmente menos incômodos e utilizaram menos analgésicos durante o pós-operatório. “Fazer cirurgia na boca é algo que costuma causar receio e medo. Se pudermos lançar mão de uma técnica que vai proporcionar mais conforto é melhor. Muitas vezes os pacientes desistem de fazer uma cirurgia necessária por experiências ruins que tiveram anteriormente”. 

Além disso, a nova técnica também é mais fácil de ser executada, podendo trazer mais segurança para recém-formados. Cirurgias periodontais são relativamente complexas e requerem destreza e um bom treinamento manual. “São vários ganhos, tanto para o paciente quanto para o profissional. Existem muitos recursos que visam resolver essa condição e essa técnica modificada se mostrou ser mais um bom caminho para a nossa rotina clínica”, finaliza Vanessa. 

Texto por Gabrielle Torquato

Fotos: Arquivo pessoal

Skip to content