(Português) Interligas continua inovando

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O terceiro dia de palestras do evento Interligas aconteceu na quarta-feira, 16 de setembro, com início às 14h para mais um encontro de assuntos pertinentes da odontologia. Para a quinta palestra do evento, a primeira do dia, a Liga de Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais (LOPNE) e a Liga de Odontopediatria e Odontohebiatria (LOPH) decidiram abordar o tema de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e como o uso de materiais estruturados podem atuar na odontologia. A convidada para ministrar a palestra foi a Profa. Dra. Adriana Zink, especialista em odontologia para pacientes com necessidades especiais, e com doutorado na área de odontopediatria com ênfase em pacientes com necessidades especiais.

A professora apresentou preceitos básicos para o entendimento do Transtorno do Espectro Autista (TEA), que tangenciam dois pontos principais: comunicação e socialização, e aspectos de comportamentos. Perante esses dois parâmetros há uma diversidade quanto ao grau, em como os estímulos como o toque, a visão e audição podem afetar os dois pontos anteriormente citados (comunicação e socialização, e comportamento).

Posto isto, o profissional da odontologia deve fazer uma análise precisa do seu paciente, considerando sempre como a dor pode gerar uma alteração brusca de humor e comportamento em qualquer ser humano, ainda mais em pacientes autistas, que muitas vezes respondem mais bruscamente ao estímulo de dor. A professora utilizou o exemplo de um paciente autista que respondia a dor com comportamento reflexo, com uma autolesão ao bater o próprio joelho na testa, uma resposta direta da desorganização que o paciente estava passando no momento.

Após essa análise individualizada do paciente, cabe ao cirurgião-dentista traçar um plano de tratamento, intervindo da melhor maneira possível. Utilizando técnicas mais simplistas como um manejo e abordagem inicial adequada, uma restrição física, podendo também usar sedação oral ou consciente com óxido nitroso (consultório), até anestesia geral (hospital).

Uma técnica de tratamento de destaque, retratada pela Dra. Adriana Zink, é a modelagem e modelação. Trata-se de um modelo desejado de repetição, tentativa do profissional de condicionar o paciente a imitar e responder de forma desejada e positiva a uma ação. Necessitando da ciência de Análise do Comportamento Aplicada (ABA), baseada em princípios básicos que influenciam o comportamento humano, modulando essas respostas, ciência não sendo aplicado apenas para autistas, mas para todos os seres humanos.

 

Segunda palestra do dia

No penúltimo dia de palestras do Interligas, a Liga de Atenção Primária à Saúde (LAPS) e a Liga de Odontologia Forense (LAOF) se juntaram para promover às 18h um encontro sobre “A atuação da Atenção Primária à Saúde (APS) em situações de violência doméstica e o papel do cirurgião-dentista frente à violência”. A convidada para comandar a discussão foi a Profa. Dra. Maria Gabriela Haye Biazevic, do Departamento de Odontologia Social da FOUSP.

A professora contextualizou a temática apresentando o mapa da violência doméstica no Brasil, com dados concretos das taxas de homicídio por 100 mil mulheres em cada um dos estados da federação. Para tornar mais palpável o Atlas da Violência mostra que em média no Brasil uma mulher é morta a cada 6 horas dentro de sua própria casa, sendo 68% negras, um indicativo evidente da desigualdade social existente em nosso país.

Um dos motivos para esse números alarmantes está conectada com a falta de estrutura de trabalho para agentes de saúde, que auxiliam no atendimento primário. Um segundo ponto é a dificuldade de comunicação entre os profissionais de saúde e de segurança, que devem proteger, das mulheres que sofrem agressões. Afinal, não há uma democratização da informação e uma adaptação da linguagem, facilitando o entendimento dos menos letrados, tornando mais acessível para toda a comunidade.

Cerceando o meio odontológico, a professora destacou a falta de preparo e informação dos cirurgiões-dentistas para esses casos. Muitos não sabem qual a tomada de decisão adequada quando há indícios e suspeitas de violência doméstica, fato que não ocorre em Unidades Básicas de Saúde (UBS), visto a especialidade de assistente social, presente nos centros de saúde do Estado.

Sobre os indícios e suspeitas do cirurgião-dentista à respeito de pacientes que podem estar sofrendo agressões físicas e abusos, a professora é categórica ao afirmar que antes de tudo as pessoas são cidadãos. De modo que cabe não só ao profissional da odontologia ter empatia com o próximo, mas sim todos que perceberem qualquer sinal de violência devem denunciar.

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