(Português) Conheça o Godivas: coletivo LGBTQ+ dos alunos

Sorry, this entry is only available in Brazilian Portuguese. For the sake of viewer convenience, the content is shown below in the alternative language. You may click the link to switch the active language.

A questão de identidade e representatividade é um ponto de extrema importância para todos que vivem em sociedade, e também para alunos da Universidade de São Paulo, e que ainda bem está gradativamente ganhando maior destaque e relevância, com preocupação cada vez maior em como alunos vão se sentir acolhidos pelos seus dentro da universidade pública.

Nessa linha, uma iniciativa, dentre tantas, dos alunos de graduação da FOUSP, relacionada aos fatores de identidade e representatividade, é o coletivo Godivas. Grupo LGBTQ+ que se organiza visando defender os interesses dos seus dentro da unidade, com aspectos e militância interna, dentro da bolha da odontologia, e também da bolha-USP, como fora da universidade pública, com membros engajados na luta LGBTQ+ do coletivo.

Para entender um pouco melhor como foi idealizado e estruturado o coletivo, a FOUSP conversou um pouco mais com um de seus fundadores, o aluno de graduação da turma 126, Heitor Rodrigues da Silva. “O Godivas foi uma idéia minha, da Jaqueline Placido Alonso e do Matheus Moser, como uma extensão dos próprios alunos, após a disciplina de ciências sociais em saúde, do Departamento de Odontologia Social. Afinal, nós sentíamos uma necessidade de representatividade dentro da faculdade, percebemos como a universidade estava isolada”.

Criado em 2017, o Godivas hoje conta com nove membros fixos — fora os rotativos, que visitam e acompanham iniciativas do coletivo —, divididos entre diretorias e núcleos, organizando eventos, com rodas de conversa entre os alunos, tendo convidados para comentar e falar de temas de relevância para causa. Atualmente, o Godivas está se organizando da maneira que pode, através de rede social — com grupo de WhatsApp, e página de Instagram e Facebook —, promovendo debates e diálogos: “recentemente recebemos a Monica Benicio, esposa da Marielle Franco, e atual pré-candidata a vereadora do Rio de Janeira, para discutir a luta LGBTQ+ na sociedade”, contou Heitor Rodrigues da Silva.

Além de iniciativas mais interativas, como os encontros entre membros e demais alunos interessados em apoiar a causa, e também as rodas de conversa com convidados, o coletivo busca ser bem ativo em suas redes sociais. “Procuramos sempre ter coerência, dar lugar de fala para cada umas das pessoas que está relacionada de alguma forma a questão. Como por exemplo, tivemos o mês da visibilidade bissexual, há o cuidado e a preocupação em deixar as pessoas que se identificam como bissexuais falarem um pouco mais sobre. Afinal são elas que sabem mais a fundo quais são suas lutas e demandas”, ressalva o aluno da FOUSP.

O coletivo está em constante  crescimento e mudança, visto ter apenas quatros anos desde sua fundação. Contudo, já busca se envolver com demais instituições e entidades, tanto dentro como fora da FOUSP, para que possa alcançar cada vez o maior número de pessoas, mobilizando-as em prol da luta LGBTQ+. “Como eu fui presidente do Centro Acadêmico na época de fundação, naturalmente as duas entidades acabaram se envolvendo, com uma apoiando a outro, algo que ainda se mantém. Além disso, buscamos estar em constante conversa com outros coletivos, como o da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e o Coletivo Guarda-Chuva (CGC) da São Camilo”, explicou Heitor Rodrigues da Silva.

Ainda perante atuação nas redes sociais, o Instagram do Godivas tem duas ações importantes feitas pelo coletivo. A primeira é o Godivas Explica, um momento no qual é desenvolvida uma arte entorno de uma temática de relevância LGBTQ+, aprofundando o assunto e apresentando um pouco mais tanto para a comunidade mais próxima, quanto para todos que estiverem interessados, derrubando tabus, estereótipos e preconceitos. Já a segunda ação é o Godivas Indica, apresentando produções cinematográficas, teatrais e demais conteúdos que envolvem a temática LGBTQ+, para maior conhecimento do público em geral, incentivando e dando visibilidade para esses trabalhos.

Por fim, uma das obras em prática de maior destaque atualmente no coletivo é o Godivas Denúncia. Trata-se de um formulário aberto — em anonimato ou não — para denunciar casos de abuso, sexissimo, machismo, misoginia e lgbtfobia. E posteriormente com uma análise apurada e responsável, investigando cada caso individualmente, discutindo a seriedade dessas ações criminosas, que ferem os preceitos democráticos e de direitos humanos garantidos pela Constituição Brasileira de 1988.

Evidentemente a Universidade de São Paulo e Faculdade de Odontologia vivem em bolhas sociais, isoladas cada uma em seu contexto. Contudo, iniciativas como a do Heitor Rodrigues da Silva, com o coletivo Godivas, são de extrema importância para furar cada uma dessas bolhas, incentivando a discussão e o debate.

fotos: arquivo pessoal

texto: Gabriel Cillo

 

Skip to content