(Português) O uso de máscara provoca mau hálito?

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Por conta da pandemia do coronavírus não são só os cirurgiões-dentistas que estão sendo obrigados a usar máscara o tempo todo. O artigo virou moda no mundo inteiro, não por vontade geral do público ou por alguma tendência, mas sim como forma de proteção contra o tão temido SARS-CoV-2, representando uma barreira física contra perdigotos contaminados que ficam suspensos no ar. Por conta dessa nova moda, muitas pessoas começaram a achar que o uso excessivo da máscara, durante horas seguidas, vem contribuindo para o mau hálito, agravando casos de gengivite.

O fato do mau cheiro vindo da boca, característico de casos de halitose, é uma preocupação que vai além do odor desagradável. Afinal, está relacionado diretamente com a questão de saúde bucal, com uma higiene deficitária da boca. Seguindo este raciocínio, a CD Dra. Caroline Calil, ex aluna de pós-doutorado da FOUSP, comentou a relação que está sendo feita entre mau hálito e gengivite, e o uso indiscriminado de máscara: “é importante deixar claro que não há qualquer associação entre o odor desagradável e o uso de máscara, seja por abafar a região ou qualquer outro fator. O real motivo, na maioria dos casos está relacionado a uma falta de higiene do paciente”.

A explicação, para a grande maioria dos pacientes que sofre com o mau cheiro, tem base no acúmulo de placa bacteriana na região entre dente e gengiva, provocando inflamação da área, com liberação de enxofre — justificando o odor desagradável —, e gerando desconforto e sangramento, característico da gengivite. Um segundo fator de extrema relevância é a questão alimentar, tendo como artigo de comparação casos de pacientes que não seguem uma dieta balanceada, ignorando alimentos ricos em vitaminas em detrimentos de opções excessivamente industrializadas, com teor de lipídios e sacarose elevados, há consequentemente uma contribuição para o acúmulo de placa, quando não houver os devidos cuidados com a higiene.

Sobre o aspecto de predisposição, no qual temos pacientes que estão sujeitos a apresentarem maiores complicações cariogênicas do que outros, quando fizerem o mesmo grau de higiene, não devemos ser levianos. “As diferenças entre a halitose, e casos de gengivite, entre os pacientes está diretamente ligada a três fatores: alimentação, higiene adequada, e por último, a imunidade de cada pessoal. Afinal há diferenças entre as respostas de cada organismo contra a infecção bacteriana”, explicou a cirurgiã-dentista.

Posto isto, entendendo a dinâmica, há demais pontos que influenciam a halitose, que devem serem debatidos. Chamados de fatores modificadores, como a nicotina, substância vasoconstritora que potencializa os efeitos das bactérias na boca. Outros fatores, como: longos períodos em jejum, não consumindo qualquer alimento ou água, e o respirar muito pela boca, provocando ressecamento, podem contribuir para o mau hálito.

Um fator em paralelo que se deve ter atenção, está relacionado ao estresse. Situação que provoca alterações bioquímicas, como a diminuição da quantidade de saliva na boca, e liberação de cortisol salivar (hormônio imunossupressor), que tem como consequência diminuição da capacidade de defesa do organismo, facilitando as ações das bactérias.

Ainda perante casos mais pontuais, diabéticos com a glicemia desregulada apresentam aumento no sangramento de gengivas, quando inflamadas, e dificuldade de cicatrização, podendo agravar o quadro. O resultado final é uma halitose específica, característica, chamada de hálito cetônico, semelhante a frutas envelhecidas ou maçã velha.

Um último caso diferenciado é o cáseos amigdalianos, ou seja, deposição de placas bacterianas nas criptas ou sulcos das amígdalas, que provocam mau cheiro. Quando o cirurgião-dentista detecta esse caso, o mais indicado é o encaminhamento para um otorrinolaringologista de confiança, que vai avaliar a melhor forma de tratamento: podendo ser medicamentosa ou através de laser.

Pensando em como identificar pacientes que sofrem de halitose, indo além de uma medição tão imprecisa e subjetiva como o uso do olfato, há um exame específico. Ainda mais considerando o presente momento de pandemia, no qual os cirurgiões-dentistas estão totalmente paramentados com Equipamentos de Proteção Individual (EPI) para se protegerem. “Temos um aparelho chamado cromatógrafo gasoso, que mede a quantidade de compostos sulfurados voláteis, ou seja os gases a base enxofre (por isso o cheiro ruim), produzidos por bactérias presentes na boca, principalmente no dorso da língua e interior das gengivas”, detalha a Dra. Caroline Calil.

Após todas diversas implicações que influenciam na saúde bucal, e consequentemente no hálito e na saúde da gengiva. A ex aluna finalizou com algumas recomendações básicas: “primeiramente se deve ter o cuidado quanto a escovação, não passar longos períodos sem escovar os dentes, utilizando o fio-dental todos os dias, tomando a devida atenção na higienização da língua e gengiva. E sempre manter uma frequência de visitas ao cirurgião-dentista para uma avaliação mais precisa da saúde bucal”.

texto: Gabriel Cillo

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