(Português) Odontopediatria elabora projeto de telemonitoramento com alunos de graduação

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Os atendimentos na clínica da Faculdade de Odontologia  foram interrompidos há quase sete meses, acompanhando a decisão do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulista (Cruesp), que em comunicado declarou suspensão, desde 17 de março, de todas as atividades presenciais nas três universidades estaduais paulistas — USP, Unesp e Unicamp —, como forma de proteção da comunidade universitária, visando diminuir a velocidade de contágio e de disseminação do coronavírus. Por isso, diversos pacientes que eram atendidos pela faculdade ficaram desassistidos, não podendo frequentar a clínica para os atendimentos odontológico.

O cenário descrito anteriormente retrata com precisão o caso da odontopediatria, que, infelizmente, teve todas as suas atividades clínicas interrompidas desde então. Contudo, pensando em um modo de amenizar o grau de prejuízo atual, a Profa. Dra. Ana Estela Haddad e o Prof. Dr. Marcelo José Strazzeri Bönecker, ambos do Departamento de Ortodontia e Odontopediatria, desenvolveram uma forma de aproximar novamente os pais, e as crianças (pacientes), dos alunos que realizavam esses tratamento na clínica da faculdade.

O processo escolhido foi o desenvolvimento de um site, chamado “Portal Saúde Bucal da Criança: sorrindo com saúde”, para auxiliar e informar os pais e responsáveis, sobre questões básicas relacionadas a higiene bucal das crianças, a importância de uma alimentação saudável, com uma dieta balanceada, e demais complicações da primeira infância, como os casos frequentes de traumatismo dentário. Todo esse material, reunido no site, foi dividido através de três meios comunicacionais: textos, podcasts e vídeos informativos curtos. Tendo como colaboradores, auxiliando a todo momento no processo de desenvolvimento do conteúdo, diversos alunos de pós-graduação, de Iniciação Científica (IC) e outros.

Após este primeiro momento, com o portal no ar, foi a vez de colocar os alunos de graduação, envolvidos com a disciplina de odontopediatria, cara a cara com os pais e as crianças. O único jeito seguro foi optar por uma plataforma que possibilitou que a teleodontologia entrasse em ação, com um contato via videoconferência, respeitando o sigilo de todos os dados — com termo de consentimento do responsável pela criança —, bem como as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Resolução 226 de 2020 do Conselho Federal de Odontologia, que regulamentou os casos de teleodontologia.

A estratégia foi alocar dois alunos de graduação juntos, em correspondência para um único paciente, tendo sempre o acompanhamento de um aluno de pós-graduação como suporte, orientando e supervisionando. Afinal, primeiramente houve um alinhamento entre os professores responsáveis pela disciplina e os alunos de pós-graduação, para posteriormente estes repassarem materiais e demais orientações para os alunos de graduação, preparando-os da melhor forma possível, e viabilizando um telemonitoramento exemplar.

Para entender um pouco melhor como foi a experiência, tanto para as alunas de graduação quanto para os pais, a FOUSP bateu um papo com duas estudantes e uma mãe. A primeira foi a aluna do 5°ano noturno da turma 124, Marcela Dantas Alves, que aprovou a experiência, como uma forma enriquecedora: “eu me senti muito em um papel de ser mãe, me colocando no lugar do outro mesmo, com um exercício de empatia, com um interesse de estar o mais preparada possível para orientar os pais. Afinal, muitas vezes os pais têm dúvidas, não sabem como lidar com os dente novos que estão erupcionando, e eles acabam se preocupando mais com os filhos do que com eles mesmos”. Ainda no aspecto cuidado e zelo, a aluna complementou, dizendo em como o aspecto alimentar foi algo que pautou sua conversa, em como uma nutrição adequada, com uma dieta balanceada, evitando alimentos processados, influencia na saúde bucal da criança. Por fim, Marcela Dantas Alves, complementou: “não basta gostar de criança, há toda uma dinâmica especializada dentro do consultório. Porque muitas vezes a criança está sofrendo com cárie, e com muito medo, não dando toda a abertura logo de cara”.

A segunda aluna, do 5°ano diurno da turma 121, Letícia Tesser Santos, também se sentiu realizada após o trabalho feito com os pais: “obviamente eu tinha todo o suporte, havia um acompanhamento durante todo o monitoramento, caso eu precisasse de algum auxílio. Contudo, há uma tensão, mas é algo que passa logo quando começa a conversa e a interação com o paciente e responsável”. A aluna ainda complementou afirmando que espera que mais momentos como esses, do contato, mesmo que virtual, com o paciente aconteçam mais vezes, visto que é a única forma que temos disponível hoje.

Por fim, ouvimos uma mãe de trigêmeos que passou por três telemonitoramentos, com três profissionais diferentes: “fomos muito bem atendidos nas três vezes, evidente que teve uma pequena variação individual de cada uma das profissionais, mas está relacionada a personalidade de cada uma delas. Infelizmente sem a parte clínica há um prejuízo, mesmo com o vídeo fica complicado, acho que idealmente funciona mais como uma pré-triagem”. Ainda contado sobre seus três filhos, a mãe relatou que durante o momento de não atendimento pela FOUSP dois de seus filhos tiveram o nascimento precoce de dentes permanentes dos fundos, sendo obrigada a consultar um outro consultório particular, que a orientou prontamente.

Segundo a Profa. Dra. Ana Estela Haddad e o Prof. Dr. Marcelo Bönecker, o atendimento inicial, através de telemonitoramento, focou em crianças da primeira infância ou até no máximo uns 5 anos de idade. Contudo, o projeto visa se expandir para as demais faixas etárias, chegando até adolescentes, na medida do possível.

Para acessar o site do projeto “Portal Saúde Bucal da Criança: sorrindo com saúde”, clique aqui.

 

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