(Português) 3ª Semana de Conscientização: Quantos cirurgiões-dentistas negros você conhece?

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No segundo dia de vento da terceira edição da Semana de Conscientização, o Centro Acadêmico XXV de Janeiro, Gestão Combinação 2020, convidou a Dra. Cecylia de Oliveira, professora e pesquisadora da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), para apresentar a palestra “Quantos cirurgiões-dentistas negros você conhece?”, discorrendo sobre a participação e atuação da população negra na odontologia.

Logo no início a professora propôs uma análise do ciclo social e profissional de cada pessoa que acompanhava a palestra, questionando quantos cirurgiões-dentistas negros cada um conhecia, e ainda quantas eram mulheres. Infelizmente, a resposta não passou de quatro, algo que assusta pensando que a população preta e de mulheres representam a maioria no Brasil. Esse panorama é apenas um reflexo do padrão elitista que do curso e da profissão de odontologia em padrões socioeconômicos.

A professora fez questão de ressaltar a luta que a comunidade negra vem passando nos últimos tempos, gritando para ser ouvido, buscando igualdade de direitos. Obviamente que esse cenário é de mudança, contudo é apenas uma continuidade do racismo estrutural, tendo como exemplo a forma que o povo negro sempre foi tratado no Brasil, sendo o último país do continente americano a abolir a escravatura. Entretanto, sendo feita de maneira totalmente irresponsável, não dando as devidas condições de ex-escravos de ter uma vida digna, com oportunidades reais de trabalho e moradia, ou seja, na prática continuando refém nas mãos de senhores de engenho.

Após abordar o contexto histórico e estrutural do preconceito racial no Brasil, e a forma que o povo negro foi perseguido através dos anos, Cecylia de Oliveira traçou um paralelo com as ações afirmativas, e o tamanho de sua importância atualmente como um modo de representatividade. Afinal, é necessário ouvir vozes pretas em ambientes diversos, não sendo uma exceção à regra ter um profissional preto em posições de destaque.

Segundo a professora, graduada na UFPE, ela percebia seu privilégio em ser negra e cursar odontologia em uma universidade pública. Posto que não havia nenhum negro como colega de classe ou algum professor, sendo apenas mais um sintoma do racismo estrutural, considerando que os pretos representam a maioria da população brasileira.

Ao fim, a Dra. Cecylia de Oliveira abriu a palestra para uma roda de conversa, respondendo dúvidas de quem acompanhou, permitindo uma discussão entre os presentes, de modo a conscientizar à todos, inclusive aos autodeclarados brancos, da importância de ouvir os negros, com suas dores e demandas. Deste modo, permitindo que todos aprendam e cresçam, compreendendo os próprios preconceitos enraizados que todos nós temos, seja em maior ou menor grau.

 

Para acompanhar a palestra da Dra. Cecylia de Oliveira na íntegra, acesse: https://drive.google.com/file/d/1rSA787BoF152Ko6C-UyNuo1_JKiuSGEe/view

 

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