(Português) O jornal “O Estado de São Paulo” conta a história de um eterno estudante, formado em 1945 na Faculdade de Odontologia da USP

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Publicado no Jornal O Estado de São Paulo

Antônio Moucachen saltou do navio em terras brasileiras ainda criança. Em 1940, iniciou o curso de Odontologia na USP. ‘A faculdade encheu meu ego’, diz

Nascido em Damasco, capital da Síria, em 1922, Antônio Moucachen saltou do navio em terras brasileiras ainda criança. De família católica, foi estudar em colégios dos irmãos Maristas, mas a idade na época ainda não permitia entrar na escola. Mudaram a data para 1924. Ou teria sido 1923. “Foi fácil se adaptar no Brasil, com língua latina. Mamãe que teve dificuldade com a moda: Paris era a luz do mundo e refletia na Síria”, conta.

Anos mais tarde, em 1940, iniciou o curso de Odontologia na USP, quando a instituição ainda era aglutinada ao curso de Farmácia e ficava na Rua Três Rios, no Bom Retiro. “A faculdade encheu meu ego. Foi muito difícil entrar, era uma proporção de 50 candidatos para uma vaga. Fui o 3º colocado”, disse ao Estadão em conversa por aplicativo de mensagem. A reportagem foi orientada a falar com ele por escrito, uma vez que a baixa audição dificulta conversas em áudio.

Antonio Moucachen
Na foto, Antônio Moucachen participa da comemoração de 120 anos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. Foto: Arquivo pessoal

“Na placa do consultório, eu colocava: ‘Formado pela USP’. Fazia diferença. Durante o curso, me diferenciava dos colegas, pois era taquígrafo e datilógrafo, e isso os ajudava”, lembra Moucachen, cujas mensagens eram seguidas por emojis simpáticos de coração e rostinho com óculos. O envio de fotos pelo aplicativo também mostra boa aptidão com tecnologia a quem, pelas contas, já passou há tempos dos 90 anos.

Quando estava para se formar, a questão da data de nascimento voltou a complicar. “Na formatura, eu estava com três datas de nascimento. Não podiam me dar o certificado. Eu, de próprio punho, expedi uma carta ao ministro da Educação explicando o porquê. Também dei liberdade de ele escolher a data. Oficialmente determinou: eu nasci em 1924.” Para ele, também é uma alegria relembrar os tempos em que esteve na FOUSP. “Sinto orgulho, sempre a defendi.”

Após a graduação, permaneceu na escola superior, onde fez pós-graduação em periodontia. “Nunca me afastei da faculdade. O contato com colegas era na Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas, onde assistíamos a cursos de pós-graduação, palestras e reuniões. Sempre tive espírito associativo e nunca parei de estudar”, diz. Moucachen também ministrou cursos e muitas palestras no Brasil e no exterior.

Um eterno estudante, ele afirma ter assistido a todos os congressos de odontologia em São Paulo e fora do País. Menciona Estados Unidos, Portugal, Espanha, França, Noruega, Hawai, Argentina e Peru. “Estou assistindo a mudanças na medicina, odontologia e outras matérias. Estou aprendendo muito, mas acho que tem muito mais mudanças que estão soltando aos poucos.”

Os tempos, agora, são outros. “Saudades do trabalho”, ele lamenta. Até o começo de março, o dentista permanecia atendendo em um consultório que mantém há anos no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. “Até hoje, minhas mãos estão firmes, ponto fora da curva. Até agora, biologicamente, não sei explicar. Gosto muito da minha profissão”, declara.

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