(Português) O jornal “O Estado de São Paulo” entrevista o primeiro doutor da Faculdade de Odontologia da USP

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Publicado no Jornal O Estado de São Paulo

Aos 87 anos, Mendel Abramowicz é um dos professores mais antigos da escola superior, uma vez que começou a lecionar em 1957

Ludimila Honorato, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2020 | 15h

A história de um lugar é também – talvez principalmente – a história das pessoas que estiveram nele. É o que dá vida e faz da Faculdade de Odontologia da USP (FOUSP) um espaço de memórias. Quando a faculdade completou cem anos, a professora Eliza Maria Agueda Russo, que presidiu a comissão do centenário, teve dificuldades para resgatar a história da instituição.

Em entrevista ao Estadão à época, ela disse esperar que os fatos ligados à escola não ficassem limitados à memória dos funcionários. Para isso, começou a organizar um catálogo com depoimentos e fotos que registrassem a trajetória do local. Em comemoração ao aniversário de 120 anos, foi lançado um novo site que conta a história da instituição, com linha do tempo e um banco de imagens com mais de 66 mil fotos de arquivo e enviadas por pessoas que fizeram parte da faculdade.

Quem conta com saudosismo sobre os tempos na FOUSP é Mendel Abramowicz, primeira pessoa a receber título de doutor pela faculdade, em 1963. “É o meu maior orgulho e isso me foi proporcionado pela Faculdade de Odontologia da USP”, disse ao Estadão, por telefone.

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“É o meu maior orgulho e isso me foi proporcionado pela Faculdade de Odontologia da USP”, diz Mendel, primeiro doutor da instituição. Foto: Arquivo pessoal

Aos 87 anos, ele é um dos professores mais antigos da escola superior – começou a lecionar em 1957, poucos meses após ter se graduado no ano anterior. Na época, o curso durava três anos. Depois de fazer livre-docência, ser professor adjunto e assumir o que hoje é o Departamento de Odontologia Social, Abramowicz tornou-se diretor da faculdade em 1989.

“Quando assumi a direção, a faculdade só tinha a parte administrativa construída e os departamentos estavam espalhados pela cidade universitária, porque quando saímos da Rua Três Rios, fomos para galpões”, relembra. O modelo disperso era um problema. A turma que fazia uma aula em frente ao curso de Veterinária tinha de se deslocar para outro espaço na próxima.

Diretores antes dele já tinham deixado fundações prontas, então Abramowicz foi conversar com o reitor da universidade para ver se um prédio próprio seria construído. “Quando faltava um ano para terminar minha gestão, saiu o dinheiro e terminei de construir a faculdade”, diz. “São coisas das quais me orgulho de ter participado.”

Quando ainda era estudante de graduação, não podia ver um professor que logo se metia a fazer perguntas. “Eu era jovem e atirado. Meu chefe dizia que eu era um grude. Tudo que me pediam, eu fazia. Eu estava a fim realmente de aprender”, lembra. O início na docência também começou com um “atrevimento” de jovem aprendiz.

“Em 1956, conheci aquele que eu chamo até hoje de ‘meu chefe’, apesar de não estar mais entre nós. Encontrei ele na lanchonete, quando a faculdade ficava na Rua Três Rios, comendo e ao mesmo tempo estudando. Falei: ‘puxa, professor, o senhor não tem tempo nem de comer!’. E ele respondeu: ‘se jovens como o senhor subissem no departamento a me ajudar, quem sabe eu teria tempo’. Foi uma piadinha”.

A partir desse encontro, Abramowicz passou a colaborar com o professor e fez seu primeiro trabalho acadêmico, permanecendo no laboratório do “chefe”, como voluntário, após a graduação. Meses depois, foi convocado a dar aulas, o que deixou o jovem espantado. “Era a época dos catedráticos e a turma me conhecia de baile, de chopada, ninguém ia me respeitar.” Mas respeitou e foi assim que ele começou a lecionar.

O professor manteve um consultório particular até fazer a livre-docência e depois de terminada a gestão como diretor, em 1993, foi convidado para colaborar com a Universidade Paulista, onde permanece dando aulas até hoje em níveis de pós-graduação. “Falar da faculdade em que eu iniciei minha carreira universitária é emocionante. O homem, além da razão, tem emoção e falar da Faculdade de Odontologia da USP sempre me traz emoções. Devo muito à faculdade porque se não existissem esses professores, esses orientadores, eu não seria quem eu sou”, afirma o doutor.

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