(Português) Como o câncer pode afetar a qualidade de vida de paciente e seu círculo de convivência

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O câncer é uma questão de saúde extremamente problemática, considerando que é a segunda principal causa de morte no mundo, com uma proporção assustadora de uma em cada seis sendo relacionadas a doença, sendo responsável por tirar a vida de 9,6 milhões de mortes em 2018, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), um dos muitos braços da Organização Mundial da Saúde (OMS). Nesse sentido, um grupo de professores do programa de Pós-Graduação de Ciências Odontológicas, desenvolveu um projeto chamado “Mucosite oral e qualidade de vida em crianças e adolescentes com leucemia linfóide aguda”, com aprovação e financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

É indiscutível a evolução da medicina como um todo no tratamento de pacientes oncológicos, com técnicas cada vez mais apuradas e tratamentos que causem menos efeitos colaterais, visando menor sofrimento do paciente durante todo esse processo. Nesse sentido, Marcelo José Strazzeri Bönecker explicou como a doença é uma séria questão de saúde: “no Brasil, o câncer já representa a primeira causa de morte (8%) por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos de idade. Tão importante quanto o tratamento do câncer é a atenção dada aos aspectos sociais da doença. A cura não deve estar baseada somente na recuperação biológica, mas também no bem-estar e na qualidade de vida”.

Há uma questão muitas vezes não tão observada, o fato de uma criança ou adolescente com câncer gerar inúmeras consequências indiretas ao núcleo familiar e demais pessoas que convivem diariamente com aquela pessoa. Esse cenário afeta a qualidade de vida de forma indireta das pessoas que o cercam: “um filho com câncer é algo extremamente triste, pois os pais acabam sofrendo junto, ficando abalados psicologicamente, muitas vezes se ausentando do emprego para cuidar dos filhos ou até mesmo tendo que abandonar suas funções. Isso tudo representa um baque tremendo na qualidade de vida da criança e também da família”, explicou o professor da FOUSP.

Uma das etapas necessárias do tratamento oncológico é com toda a certeza o tratamento de saúde bucal, que deve ser realizado antes de terapias específicas, como a quimioterapia. Posto isto, antes do início do tratamento característico ao câncer, a criança apresenta um índice extremamente positivo na Qualidade de Vida relacionada à Saúde Bucal (QVRSB), pois passou anteriormente por um cirurgião-dentista. Entretanto, conforme o tratamento vai avançando, com diversas sessões de quimioterapia, a saúde das células não cancerígenas acaba sendo afetada, desencadeando reações como a mucosite oral (MO), regredindo para índices não desejáveis de QVRSB.

Entre os casos de câncer em crianças, 30% são do tipo Leucemia Linfoide Aguda (LLA), conformidade que tem como consequência a mucosite oral, por isso os pacientes com LLA são os analisados pela pesquisa. Posto isto, o foco do projeto é basicamente medir a qualidade de vida tanto da criança quanto dos que estão ao seu redor durante três momentos específicos: assim que o paciente passou pelo tratamento odontológico antes da quimioterapia, no momento que a mucosite oral se manifesta na boca e após a cicatrização das feridas e recuperação. “Para avaliar a QVRSB vamos aplicar questionários tanto para os pais e responsáveis quanto para as crianças, sempre respeitando a idade de cada um, através de metodologias específicas para cada caso”.

De forma mais técnica, os objetivos desse projeto de pesquisa são acompanhar, por meio de um estudo longitudinal:

  1. a variação do impacto na QVRSB de crianças e adolescentes com neoplasias malignas avaliados antes e após tratamento odontológico completo realizado previamente ao tratamento oncológico;
  2. a variação do impacto na QVRSB de crianças e adolescentes com neoplasias malignas avaliados antes, durante e após o tratamento oncológico quando da ocorrência da MO ou outros agravos de saúde bucal;
  3. a variação do impacto do tratamento oncológico na QV tanto da criança e adolescente como da mãe medidos antes, durante e após o tratamento oncológico;

 

Além da parte de avaliação social, relacionada à qualidade de vida, o projeto vai estudar como as neoplasias e a mucosite oral vão afetar a boca em termos patológicos. “A mucosite oral influencia diretamente na normalidade da boca, por isso o uso de marcadores biológicos de sangue e saliva, visando identificar alterações”, pontuou o docente.

Além do Prof. Dr. Marcelo José Strazzeri Bönecker, contribuíram e participaram do projeto e pesquisa:

  • Prof. Dr.Cláudio Mendes Pannuti – Departamento de Estomatologia
  • Profa. Dra. Maria Gabriela Haye Biazevic – Departamento de Odontologia Social
  • Prof. Dr.Edgard Michel Crosato – Departamento de Odontologia Social
  • Profa. Dra. Marina Helena Cury Gallottini – Departamento de Estomatologia
  • Prof. Dr.Paulo Henrique Braz da Silva – Departamento de Estomatologia
  • Prof. Dr.Fábio Daumas Nunes – Departamento de Estomatologia

 

Texto: Gabriel Cillo

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