(Português) O ensino de conceitos clássicos de patologia por memes da rede social

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O ensino regular como o da Universidade de São Paulo, na qual geralmente opta-se por uma linha mais tradicional ou até clássica, com aluno sentado na carteira — portando papel e caneta — e o professor no alto do tablado — com giz em mãos ou no máximo um sequência de slides — está cada vez mais saturada. Nesse sentido, pensando em inovar, o Prof. Dr. Paulo Henrique Braz da Silva, do Departamento de Estomatologia, resolveu propor atividades disciplinares um tanto quanto inusitadas: “como a patologia é um elo entre o ciclo básico e a cirurgia clínica eu tenho uma verdadeira angústia de que o aluno não absorva o conteúdo de maneira plena. Por isso, além das aulas regulares e demais avaliações, resolvi propor uma atividade na qual os alunos deveriam produzir conteúdo para as mídias sociais abordando conceitos clássicos de patologia geral”.

A iniciativa que foi idealizada como uma tentativa de ser mais um meio de aprendizado, sendo posta em prática no primeiro semestre de 2020, já era algo programado para antes mesmo da pandemia. Entretanto, com a obrigatoriedade das aulas e demais atividades serem oferecidas apenas à distância, foi mais uma razão que colaborou para o sucesso do projeto.

O professor dividiu os alunos em grupos, fazendo com que eles tivessem que trabalhar de forma colaborativa, podendo usar a plataforma que achassem mais adequada e funcional: “a rede social apresenta uma linguagem rápida e fugaz, concomitante com a menor concentração das pessoas atualmente. Por isso, os alunos tiveram que adaptar conceitos complexos, com vocabulário próprio do meio odontológico, para as plataformas escolhidas, fosse Twitter, Instagram ou Facebook. Por fim, a maioria optou pelo último, organizado em um grupo repleto de memes científicos”, contou o docente.

Sendo muito bem aceito pela turma, o desafio, além da parte técnica de saber lidar com a tecnologia, era exercitar a criatividade: “minha única função era dar um suporte acadêmico mesmo, conferindo se os conceitos estavam sendo corretamente trabalhados. Mas o esforço era todo deles, que tinham que se apropriar do tema e transformá-lo, utilizando de referências diversas, seja da arte, cultura, música, literatura, política, ou outras”.

 

Segundo semestre de Patologia Geral

Com o sucesso do primeiro semestre, considerando que alguns alunos não teriam absorvido o que absorveram apenas nas aulas tradicionais, o Prof. Dr. Paulo Henrique Braz da Silva inscreveu, para o segundo semestre, o projeto no Programa de Estímulo ao Ensino de Graduação (PEEG), da Pró-Reitoria de Graduação, sendo coroado com duas bolsas das 450 vagas disponíveis para toda universidade. Os alunos que ficaram responsáveis de serem monitores, foram: Tábata Campos de Barros e Luiz Felipe Rodrigues Silva.

O projeto de monitoria foi desenvolvido a partir do segundo semestre de 2020, mas antes já havia sido criada a página no Facebook, em junho, para postar conteúdos de autoria dos dois monitores, e também da turma do primeiro semestre. “Logo no início da página, eu e o Luiz Felipe (o outro monitor) produzimos e postamos vários memes autorais, sendo um desafio muitas vezes, tanto por termos que estar por dentro dos memes do momento e conseguir conciliá-los com conteúdos científicos e também pela necessidade de inovar. Também nos preocupamos em buscar um público internacional, produzindo muitos memes em inglês, de forma a expandir o projeto para mais apreciadores ao redor do mundo”, contou Tabata

Ambos os monitores já gostavam e tinham facilidade com a disciplina de Patologia Geral, então foi natural o envolvimento de ambos: “eu adorei, depois de ouvir a proposta inteira eu amei, foi muito espontâneo, eu pude unir com rede social e memes que eu gosto muito. E no decorrer da aula acabava lembrando de alguma coisa e já associava e acabava criando um conteúdo”, confessou Luiz Felipe.

Outro fator diretamente ligado é a questão da intimidade com a tecnologia, com redes sociais e programas de edição de imagem e vídeo. Para Tabata essa questão foi uma facilidade: “aprendi a usar o Photoshop para edição de imagem há muitos anos e passei a aprender a usar programas de edição de vídeo para produzir conteúdo para página. Uso bastante as redes sociais, então tive facilidade para administrar a página do facebook e o grupo com a turma monitorada”. Já para Luiz Felipe: “antes eu não tinha muito conhecimento não, era mais um grande consumidor de rede social, não produzia nada e nem procurava nada relacionado a patologia na internet. Mas a partir da criação da página no Facebook, com a vontade de aprender e criar eu fui aprendendo aos poucos”.

Ambos os monitores atestaram afirmativo para o maior interesse em patologia e maior envolvimento com a disciplina, assim como seguir no projeto — com maiores responsabilidades — no segundo semestre. “Ao receber os memes no grupo privado no facebook, eu tinha como responsabilidade analisar o conteúdo que foi produzido pelo grupo de alunos, me atentando ao conhecimento teórico que quiseram passar, sugerindo alterações quando necessário, explicando ao grupo o por que alguma informação do meme estaria errada e estando à disposição para sanar mais dúvidas que tivessem. Foi gratificante ver o interesse dos alunos e os números atingidos pela página, que atualmente conta com mais de 11 mil likes e curtidas”, contou Tabata.

 

Texto: Gabriel Cillo

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