(Português) FOUSP na mídia: Banco de Dentes Humanos auxilia no desenvolvimento de pesquisas

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publicado no Jornal do Campus

Faculdade de Odontologia da USP recebe doações de todos os tipos de dentes para uso em ensino e em pesquisas

por Ana Carolina Guerra

Foto: Kev Bation/Unsplash

Os dentes possuem uma função de destaque na vida do ser humano. Mesmo após a queda ou extração, os dentes continuam a ter importância para a realização de aulas práticas nos cursos de odontologia e para pesquisas em diversas áreas, como no estudo das células-tronco. Com o intuito de receber doações de dentes e os preparar para o uso didático e laboratorial, a Faculdade de Odontologia da USP (Fousp) criou o Biobanco de Dentes Humanos (BDH).

O BDH foi criado em 1992 pelo professor José Carlos Pettorossi Imparato, da Fousp. O docente contou que a ideia para o banco surgiu a partir de uma demanda dos alunos pela solução de um problema muito comum na época: a procura por dentes para o uso em aulas práticas. Nesse período, os professores pediam que os estudantes de odontologia levassem dentes humanos para serem estudados em sala. “Esses alunos tinham que buscar dentes em clínicas, cemitérios ou com outros colegas que tinham”, expõe Imparato. Devido a grande demanda, também surgiu um mercado clandestino de venda de dentes.

Por causa das dificuldades para conseguir os dentes e o alto valor para comprar, o docente resolveu criar o Banco, o qual passou a fornecer os dentes para todos os alunos de odontologia da USP. Para criar o BDH, os membros da Fousp começaram a “coletar todos os dentes que existiam de coleções particulares de alunos, professores e dos departamentos”, fala o docente. A USP foi a primeira faculdade do mundo a ter um Banco de Dentes e a fornecer esse serviço aos estudantes.

Após a fundação do BDH, os professores da Faculdade de Odontologia passaram a difundir que os dentes também são órgãos, antes da década de 1990, tanto acadêmicos como a sociedade em geral não viam os dentes dessa forma. “O que é um órgão? Se nós formos consultar um órgão, nós veremos que são estruturas que possuem, por exemplo, funções específicas. Cada dente é um órgão, porque tem suas funções específicas”, explica Imparato. Segundo o docente, atualmente os pesquisadores já têm essa visão dos dentes, porém a sociedade ainda incorpora esse entendimento com certa lentidão.

 

Dentes armazenados no Biobanco da USP. Foto: arquivo do BDH

A compreensão do dente como um órgão pela população é importante para que as pessoas se conscientizem sobre a doação de dentes. Um dos objetivos do Banco é divulgar e incentivar essa atitude. “O dente tem que ser doado em vida. Pode ser que seja o primeiro ato de doação de uma criança estimulada pelo seu núcleo familiar e o dentista. Assim, iremos ter uma geração muito mais próxima da doação de órgãos, porque, se uma criança doa um dente hoje, ela pode doar um órgão amanhã”, explana Imparato.

O BDH aceita doações de dentes em qualquer situação, podem ser doados tanto dentes de leite como permanentes, que caíram naturalmente ou foram extraídos. O professor explica que os dentes doados podem estar saudáveis, quebrados, cariados ou terem passado por algum tratamento, como canal dentário. O tempo em que o dente foi guardado antes da doação e as condições de armazenamento nesse período também não interferem na doação. Imparato ressalta que mesmo quando a polpa do dente foi retirada para a coleta de células-tronco, – segundo o docente, há maneiras de realizar esse procedimento que não danificam a estrutura externa – o dente deve ser doado para um Banco.

O Biobanco recebe doações da população em três formatos: as pessoas podem ir presencialmente a Fousp, enviar pelos Correios – o professor recomenda que envolva o envelope com o dente em um plástico para que não haja o contaminação durante o transporte – e, na cidade de Barueri, o BDH tem uma parceria com a Prefeitura, a qual recolhe os dentes do residentes para doação.

Quando os dentes chegam ao Banco, eles são higienizados, com água corrente e sabão neutro. Em alguns casos, há a retirada de estruturas aderidas ao dente. Após a limpeza, os dentes são conservados em solução líquida sob refrigeração abaixo da temperatura ambiente.

Após esse procedimento, os dentes são encaminhados para serem utilizados em pesquisas realizadas na USP, como estudos sobre materiais restauradores dentários, e no ensino, para as aulas de características anatômicas e no treinamento laboratorial.

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